Crianças Korubo em atividade de documentação no âmbito do Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica. Foto: Paulo Múmia
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Museu Nacional do Índio, subordinado à Fundação Nacional do Índio (Funai), disponibilizou no Google Play as primeiras versões de dicionários de línguas indígenas da plataforma Jaapim, nas línguas Guató, Ye’kwana, Sanöma e Kawahiva. A iniciativa reforça o empenho e compromisso do Brasil na preparação para a Década Internacional das Línguas Indígenas (20200-2032), cuja participação envolve diretamente a Funai por meio do trabalho desenvolvido pelo Museu Nacional do Índio.

O Museu Nacional do Índio até 1978 era localizado ao lado do estadio do Maracanã e atualmente fica na rua das Palmeiras, no bairro de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro-RJ.

Os aplicativos são resultado de pesquisas sobre as populações indígenas no âmbito do projeto “Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica”, uma parceria entre a Funai, a Agência Brasileira de Cooperação, e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Desenvolvidos por esforço conjunto de uma equipe de pesquisadores indígenas, não indígenas e por sábios dos povos, a criação dos dicionários demandaram organização de oficinas voltadas para a documentação das línguas, reunindo conhecimento tradicional e científico, na descrição de cada palavra, da fonética, na contextualização de seus usos e na gravação dos áudios.

O pesquisador Helder Perri, principal responsável pela estrutura da Plataforma Japiim, destaca a importância do trabalho como devolução aos povos indígenas do resultado das pesquisas: “Acredito que o dicionário digital possa aumentar o acesso dos povos indígenas ao material que se pesquisa e documenta sobre sua própria língua (e de outras línguas indígenas, por que não?)”.

O resultado é significativo para os indígenas, para a comunidade acadêmica e para a sociedade em geral. Viviane Cajusuanaima, mestranda em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressalta o apoio da iniciativa para o processo de valorização linguística: “Acho muito importante para a nossa língua ser aceita, para ensinar as novas gerações do meu povo o próprio Ye’Kwana. A gente também tem curiosidade de falar outras línguas e o dicionário pode ajudar com o português”.

A indígena, que aprendeu o português aos 20 anos de idade, acredita que o dicionário pode, ainda, ajudar na comunicação para acesso a serviços básicos. “Eu acho importante também as pessoas de fora [da comunidade indígena] acessarem, como quem trabalha na saúde. A maioria dos Ye’Kwana fala só a nossa língua e precisa de ajuda para serem atendidos pelos profissionais de saúde”.

Em breve, os dicionários poderão ser editados por membros da comunidade acadêmica e indígena, permitindo a participação coletiva e constante. Para Helder Perri, o formato digital favorece a possibilidade do trabalho colaborativo. “Os dicionários completos de uma língua levam tempo para serem elaborados, e as dinâmicas de trabalho de campo nem sempre permitem a inclusão de muitas comunidades. Os dicionários digitais e suas futuras ferramentas de edição permitem que esse trabalho de elaboração seja colaborativo”, explica o pesquisador.

Nos próximos dias, serão lançados os aplicativos na língua Taurepang, Galibi-Marworno, Karipuna e Korubo. O projeto completo prevê a disponibilização de 15 aplicativos diferentes para celulares, uma plataforma web para hospedagem dos dicionários e 15 teclados, com os caracteres das línguas indígenas, que poderão ser usados para facilitar a comunicação via celular, além de gramáticas para cada língua pesquisada.





Link: https://play.google.com/store/apps/developer?id=Museu+do+%C3%8Dndio+-+Funai



Via Museu Nacional do Índio

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