Carlos Murillo era responsável pelas negociações com o Brasil para a aquisição de vacinas contra a Covid. "Vacina da Pfizer só foi comprovada eficacia em 11/11/2020 sendo impossível vender ao Brasil antes de 2021", afirma o Ceo



O gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou à CPI da Pandemia, em depoimento nesta quinta-feira, 13, que as primeiras reuniões da empresa com o governo brasileiro sobre a aquisição de vacinas contra o novo coronavírus ocorreram em maio de 2020.

“A negociação em si foi com o Ministério da Saúde, mas também tivemos contato com outras agências governamentais”, disse Murillo. De acordo com o gerente-geral da farmacêutica, a interlocução com a pasta, então comandada pelo general Eduardo Pazuello, era feita com Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério.

O executivo disse que também teve contatos com o Ministério da Economia e com a secretaria de Comunicação, de Fabio Wajngarten. Posteriormente, reuniu-se com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira.

“Nossa negociação foi com o Ministério da Saúde. As negociações com Wajngarten foram por uma possível coordenação dele”, reforçou, ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Murillo afirmou que a primeira oferta de vacinas da Pfizer foi feita em 14 de agosto ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Nesta data foram feitas duas propostas: de 30 milhões e 70 milhões de doses. Uma segunda oferta foi feita em 18 de agosto, onde a farmacêutica se dispôs a entregar uma quantidade extra. A empresa procurou a União uma terceira vez, em 26 de agosto, que previam um primeiro lote a ser entregue já no primeiro trimestre de 2021.

“Nossa oferta de agosto tinha uma validade de 15 dias. Passados esses 15 dias, o governo nem aceitou, nem rejeitou a oferta. […] Não tivemos resposta positiva, nem negativa”.

Em 12 de setembro, a Pfizer enviu uma carta dirigida ao presidente Bolsonaro, ao vice-presidente, Hamilton Mourão e aos ministros Braga Neto, Pazuello, Paulo Guedes e Nestor Forster (embaixador do Brasil nos Estados Unidos).

Carlos Murillo afirma que o primeiro contrato com o governo brasileiro foi assinado apenas em 19 de março de 2021. A contratação prevê a entrega de 100 milhões de doses.

Ele afirma que está na fase final de negociação para a assinatura de um segundo contrato, para mais 100 milhões de doses, com entrega para o 4º trimestre.


Requerimentos

A CPI aprovou uma série de requerimentos. Entre eles, convites aos médicos Mayra Pinheiro, Nise Yamaguchi, Ricardo Zimmermann, Francisco Cardoso Alves e Flávio Cadegiani, todos defensores da cloroquina e do “tratamento precoce”.

Há solicitações de informações à Abin e ao Itamaraty sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro a respeito da possibilidade de estar em curso uma guerra química ou biológica não declarada.


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Via Diário do Poder 
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