19 de Abril: "Dia do Índio, Dia do Exército"
Em todas as grandes batalhas o Índio esteve presente na expulsão dos inimigos e sempre estará presente na demarcação e manutenção das fronteiras do Brasil

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"No dia 19 de Abril comemora-se o Dia do Exército Brasileiro. A data é marcada pela primeira luta dos povos do Brasil contra a dominação holandesa, em 1648. Por outro lado, não menos importante, nesta mesma data comemora-se o Dia do Índio.

A história dos indígenas brasileiros que ajudaram os Aliados a derrotar as potências do Eixo ainda é pouco conhecida, mas tem sido resgatada. Os indígenas integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB), espalhados em diferentes divisões como infantaria, responsável por atacar e defender, e engenharia, com funções como desmontar armadilhas, desarmar minas e até abrir estradas.

Diversos indígenas integravam o Nono Batalhão de Engenharia, que chegou a capturar uma bandeira nazista quando rendeu a 148ª Infantaria do Exército alemão em abril de 1945. Cerca de 20 mil soldados alemães se renderam aos brasileiros.

Sempre houve uma relação muito estreita e determinante entre o Exército Brasileiro e o Povo Indígena, razão pela qual, estamos fazendo neste artigo uma alusão da importância do indígena nas fileiras do exército.

O ano era 1945, pelo rádio chegavam mensagens: os alemães se renderam, a guerra acabou. A partir daí, só alegria, comemorações, alvoroços e muitas vibrações na caserna brasileira em terras italianas. Esse cenário de perspectiva de que em breve os combatentes retornariam para o seio familiar, imperava na caserna e cada um demonstrava de maneiras distintas as suas reações.

Ele, sentado sobre uma ponta de sua última trincheira, fumegando o seu cigarro, recheado sabe-se lá de quê, inerte observando seus colegas de combates se abraçando como se fosse à última vez. Seus pensamentos se perdiam como a fumaça espargidas pelas narinas que logo se desfaziam e se perdiam no tempo, naquela manhã cinzenta do típico frio europeu.

Seus comandantes, sempre o observam pela sua capacidade nas frentes de combates. Quase sempre calado, porém, muito atento às ordens a ele incumbidas. Para muitos, era tido como um elemento determinante em missões especiais. Dele, só sabiam detalhes básicos de caserna. Ninguém sabia de onde veio. Poderia ter vindo do morro, do engenho, Das selvas, dos cafezais, da boa terra do coco.

Da choupana onde um é pouco, Dois é bom, três é demais. Das praias sedosas, das montanhas alterosas, dos pampas, do seringal, das margens crespas dos rios, dos verdes mares bravios. Da minha terra natal, das selvas, dos cafezais, da boa terra do côco, da bela terra pantaneira, da terra árida dos mandacarus ou de onde o vento faz a curva. Era uma incógnita a sua origem.

Dele, com certeza, iam ficar boas lembranças pelas suas proezas nos confrontos em muitos combates contra os inimigos. Sempre se destacava sobre os demais, com seu espírito combatente e disciplina consciente. O limite dos demais ia até onde cada soldado podia chegar, além disso, seus comandantes tinham certeza que somente ele, mesmo com risco da própria vida, sempre estava disposto a ir mais além.

Talvez, esse herói anônimo, devido aos seus fortes traços indígenas, além de sua aguçada percepção herdada de seu povo, onde caçava, pescava e defendia a sua prole com unhas e dentes. Sem saber ler e nem escrever, não teve nenhuma dificuldade em combater com heroísmo e destemor os inimigos.

Certo dia pela manhã, ao bradar do corneteiro por determinação superior hierárquico, enquanto um beijava algumas fotos amarelada pelo tempo, outros escreviam carta para os pais, esposa, namorada, noiva… avisando que em breve estariam em seus lares.

E, ele a pensar, que seria de seu futuro doravante? A partir daquele momento, pairavam muitas perguntas e dúvidas em seu íntimo. Como seria seu futuro, já que não tinha ninguém a lhe esperar em sua Pátria Amada. Nem pai, esposa, filhos, parentes… Além de perder a sua própria identidade, não sabia nada mais, além de combater os inimigos.

Nos últimos tempos só sabia lutar, lutar e lutar contra seus inimigos. Com certeza gostaria que a guerra nunca terminasse. A frente de batalha era seu único reduto, ali se sentia absoluto. Ao contrário, não estava preparado para combater os inimigos invisíveis das grandes cidades, apesar do seu tirocínio de exímio combatente.

ÍNDIO ENTRA EM FORMA! Dispara seu comandante. Ali, seus pensamentos se desfazem e se perdem no tempo. Traços indígenas, estatura mediana, barbas por fazer, maltrapilho, botas empoeiradas, mochilas à lombada…

Essa foi a última imagem desse herói anônimo que tanto lutou para defender a sua Pátria Amada. Seria ele o SOLDADO BRASILEIRO DESCONHECIDO?

Em elevada reverencia ao valoroso Exército de CAXIAS, do Índio FELIPE CAMARÃO, de VILLAS BÔAS, do Marechal Índio CANDIDO MARIANO DA SILVA RONDON, ao Vice Presidente General Índio ANTÔNIO HAMILTON MARTIN MOURÃO, ao nobre e eterno Comandante e Índio IVALDO DANTAS, ao amigo General Índio FRANKLIMBERG RIBEIRO, à irmã Tenente Médica-Fisioterapeuta Índia SILVIA NOBRE WAIÃPY e a todas as 305 Nações Indígenas do Brasil, onde cada um é por natureza, um soldado a defender nossa pátria, ainda que desconhecido."


"Tudo pela Amazônia"


"Uma vez PE, Sempre PE"

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Por Silvio Rodrigues Índio Do Brasil

O autor é Índio Mura, Reservista do Exército Brasileiro, Jornalista Profissional e Mestre em Geografia.
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