Antes da Segunda Guerra Mundial, meus avós Eugen e Martha Kalwies moravam na Alemanha e se conheceram ao frequentar a Igreja do Exército de Salvação.

Um dia meu avô, nascido em 1904, viu uma exposição de genealogia na praça da cidade em Herne, Westphalia, Alemanha, onde viviam logo após o casamento.

Ele ficou fascinado com a exposição, e ainda mais com a explicação do missionário sobre o batismo vicário. Logo eles se filiaram à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Depois disso, ele dedicou todo o seu tempo extra à pesquisa de história da família.



A regra de ouro


Quando a Segunda Guerra Mundial começou, ele recebeu sua convocação para servir no exército alemão. Por meio de seus diários soubemos que muitos alemães, incluindo meu avô, não apoiavam os nazistas. Ele não apoiava a guerra.

Sempre que possível, ele se esforçava para viver a Regra de Ouro: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7:12).




O pedido para fazer a genealogia dos judeus


Os soldados políticos de elite do Partido Nazista pediram que meu avô fizesse algumas pesquisas genealógicas para a “pátria” alemã.

No entanto, quando ele descobriu que a pesquisa era para localizar nomes de pessoas com ancestrais judeus, ele rapidamente recusou o pedido. Como punição, os nazistas o transferiram para as perigosas linhas de frente alemãs.



A ordem de execução


O texto a seguir foi extraído de um dos registros de seu diário:


“Servi como soldado do meu país durante cinco anos na Segunda Guerra Mundial. Durante um tempo, fui responsável pela proteção de prisioneiros russos. Esses prisioneiros tinham que trabalhar muito. Me lembro de um homem em particular, um professor que falava um pouco de alemão. Tentei ajudá-lo o máximo possível. Lembrei-me das palavras do Salvador de que devemos amar nossos inimigos.

O professor e outras pessoas que estavam sob o meu comando me mostravam sua gratidão ao confiar em mim e me chamar de pai. Pouco tempo depois fui transferido para a frente russa, onde algumas pessoas foram capturadas e colocadas em uma prisão soviética. Fomos condenados à execução.”

“Um soldado nos tirou da prisão e nos levou para um bunker, onde ficaríamos até a nossa execução. Para minha surpresa, o soldado era o professor, o mesmo homem que havia se tornado meu amigo pouco tempo antes. Agora eu era o prisioneiro. Ele me reconheceu e disse: ‘Você, bom homem, nos ajudou. Agora vou ajudá-lo também!’”

“Durante a noite ele foi até o bunker e nos deixou sair. Ele nos levou a uma área próxima a um acampamento alemão e nos libertou. Acredito que minha vida foi poupada porque tentei seguir as palavras do Salvador”.




Ataque ao campo de pouso



O desejo de viver encorajou meu avô a confiar em Deus. Ele acreditava nas palavras em Doutrina e Convênios 82:10 que dizem: “Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma.” Meu avô escreveu sobre muitas ocasiões em que claramente recebeu a proteção do Senhor.


Muitas vezes em minha vida senti a mão protetora do Senhor como Ele havia me prometido. Em dezembro de 1941, eu estava de guarda em um campo de pouso que na época estava sob fogo inimigo. Uma voz distinta me disse para me mover. Não vi ninguém, então continue parado. Fui avisado novamente, mas por não ver ninguém perto de mim, não me mexi. Depois da terceira vez, fui literalmente empurrado a vários metros de distância. Imediatamente depois, uma bomba explodiu no local em que eu estava parado”.




O poder da oração


Meu avô acreditava no poder da oração, e grande parte de sua proteção durante a guerra foi resultado disso. Por diversas vezes, ele prestou testemunho em seu diário de que suas súplicas haviam sido atendidas.


“Em agosto de 1942, um jovem oficial alemão inexperiente estava no comando. Cercados pelo inimigo, tínhamos certeza que seriamos capturados. O jovem oficial me perguntou: ‘Você conhece uma saída?’ Pensei nas palavras do Senhor: ‘E clamaram ao Senhor na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades’ (Salmos 107:6). ‘Sim’, respondi a ele, ‘há uma saída, mas só o Senhor pode provê-la’. ‘Então faça o que for preciso’, ele disse”.

Havia uma centena de nós. Nos reunimos em uma rápida adoração, começamos com o hino. Em seguida, citei Salmos 91:1-2, ‘Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei’”.

“Em oração, apresentei nossa situação ao Senhor e implorei por Sua orientação e libertação. Quando terminamos nossa oração, uma densa névoa cobriu completamente os arredores, tornando possível que recuássemos sem sermos detectados”.




Reunidos em Seu Nome


Meu avô acreditava nas palavras do Senhor em Doutrina e Convênios que dizem: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, tratando de alguma coisa, eis que ali estarei no meio deles”.


Éramos nove e estávamos todos juntos em uma tenda na frente islandesa. Éramos todos religiosos, embora devo dizer que tínhamos crenças diferentes: três católicos, três protestantes, dois batistas e eu, um mórmon. Todas as manhãs, nos reuníamos para um pequeno serviço religioso. Cantávamos e cada soldado lia a Bíblia. Todos participavam. Meu amigo batista, William, tinha um trompete. Seu hino favorito era ‘Mais Perto Quero Estar’, e para a nossa alegria, ele sempre o tocava. Entretanto, nosso pequeno grupo, que havia se tornado tão próximo, não durou por muito tempo. Quatro pessoas foram para Stalingrado. E fomos transferidos para outra divisão, também na frente islandesa”.

Uma noite, eu estava de guarda ao longo do rio Kemijoki. Ao meu redor havia neve, montanhas e gelo, um campo branco que se perdia de vista. As luzes do norte, com seus tons de vermelho, amarelo, azul e violeta, coloriram o céu noturno. De repente, a quietude foi interrompida. Ouvi distintamente um trompete tocando ‘Mais Perto Quero Estar’. Pensei em meu amigo Batista, William, que estava em Stalingrado a quilômetros de distância dali. Era como se ele estivesse bem perto de mim. Eram onze horas da noite. Depois de meu turno, contei aos outros em nosso grupo sobre a minha experiência. Aquilo parecia algo impossível para eles, mas eu sabia o que havia ouvido.

“Dez dias depois, recebi uma mensagem de meu amigo William com as seguintes palavras: ‘Estou aqui deitado em um hospital militar em Stalingrado. Estou gravemente ferido. E sei que minha vida está quase no fim. Meus pensamentos estão com todos vocês. São onze horas da noite. E com minhas últimas forças agora toco para vocês nosso hino favorito’”.


É difícil de explicar, mas ler os diários do meu avô me aproximou muito mais dele do que o contato que tive com ele durante a infância. E embora eu saiba que ele não está aqui, muitas vezes o sinto por perto. Um espírito de paz acompanha minhas leituras de seus diários, e ao mesmo tempo me sinto humilde e orgulhoso por fazer parte da história dele. Às vezes sinto que faço parte da ‘Alemanha de meu avô’ e tenho uma breve visão do que significa converter “o coração dos filhos a seus pais” (Malaquias 4:6).


Via Maisfe.org
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