Durante a coletiva internacional realizada ontem (05), na sede do Comando Militar da Amazônia que recepcionou vários Ministros e Embaixadores em visita ao Amazonas, o Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Heleno, falou sobre a seriedade que o Governo Federal trata as queimadas no Brasil


Vice Presidente General Mourão, Ministra da Agricultura Tereza Cristina, Ministro Chefe do GSI General Heleno e o Comandante Militar da Amazônia General Theophilo



Heleno se irrita com o termo ‘fogueirinha’ 

Durante coletiva na noite desta quinta-feira, 5, nas instalações do Comando Militar da Amazônia (CMA), localizado na avenida Coronel Teixeira, Ponta Negra, o ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Brasil, General Augusto Heleno, se irritou com a pergunta do Portal O Poder, sobre as críticas da postura do governo federal, inclusive, de alguns integrantes do alto escalão, em taxar as queimadas no Brasil como “fogueirinhas”.

Irritado com a pergunta, Augusto Heleno pegou o microfone logo depois que o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), terminou de falar e disse: “Me citaram indiretamente, por isso vou falar”. “Alguns órgãos de imprensa não têm nenhum objetivo de informar, mas, de causar discórdia e confusão. Ontem, me atribuíram esse termo fogueirinha”, disse Heleno.

Ainda em resposta ao O Poder, Heleno disse que, se não conhecesse bem a Amazônia, e se achasse que as queimadas eram “fogueirinha”, não estaria na comitiva visitando a Amazônia e nem no Conselho Federal da Amazônia Legal.

“O que eu quis dizer, quando se atribuem à Amazônia e a nós, com o termo ‘incêndios gigantescos na Amazônia’, isso não corresponde à verdade, levando em consideração que temos 85% da Amazônia preservada. E eu acrescentei, ainda, que a fumaça desse possível ‘gigantesco incêndio’, chegaria a Londres. Não seria uma coisa exclusivamente de âmbito nacional. Então, foi isso que quis dizer, mas, foi distorcido para causar esse tipo de problema”, comentou Heleno.

Augusto Heleno foi mais a fundo, ao falar que as acusações ao governo brasileiro de que não estão agindo na Amazônia com a energia e a seriedade que a situação merece, acaba sendo uma grande injustiça.

“Ao contrário, o governo está agindo com muita presteza em relação com que está acontecendo na Amazônia. O próprio general Mourão foi muito honesto ao dizer que tínhamos atrasado este ano. E este atraso não foi por desinteresse ou leniência, mas, pelo fato de haver outros problemas que teriam que ser atacados. Sem contar que nossos recursos são limitados. Nós estávamos em plena pandemia, e isso afetou todos os campos do poder nacional”, disse o general.



‘Amazônidas de barzinho’

Heleno completou sua fala informando que o governo editou um decreto que antecipa que as Forças Armadas permaneçam na Amazônia, pelo menos até maio de 2021. “Essa é a seriedade com que os problemas estão sendo tratados. Nós trouxemos os embaixadores e representantes internacionais para terem noção da grandiosidade da Amazônia e de quanto estamos investindo em material humano e recurso, principalmente em tecnologia para minorar os problemas. Sabemos da gravidade dos problemas, só não podemos aceitar que sejamos atacados injustamente, principalmente, por alguns ‘Amazônidas de barzinho’, que nunca colocam o pé na Amazônia e falam de algo que não conhecem”, criticou Heleno.

                       Embaixadores de vários países durante a coletiva internacional na sede do Comando Militar da Amazônia



Foco de incêndios

Ainda na coletiva, o vice-presidente do país e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão, não esclareceu dúvidas sobre possíveis agendas no Sul do Amazonas, nos locais onde concentram o maior foco de incêndios no Estado, como os municípios de Apuí e Lábrea, que concentram 2.678 e 2.022 focos, respectivamente.

De acordo com dados dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Amazonas, 16 mil focos de incêndios foram registrados em 2020, com informações contabilizadas até a data de ontem (quarta-feira, 4). Os números ultrapassaram o recorde de 2005, quando somaram 15,6 mil casos.

Conforme o vice-presidente, os incêndios não começaram com o governo Bolsonaro, mas, por acúmulos ao longo de 40 anos.



Agenda

A comitiva que acompanha o vice-presidente tem uma agenda no município de São Gabriel da Cachoeira, na região Norte do Amazonas, nesta sexta-feira, 6. Perguntado sobre uma possível agenda para o Sul do Estado, onde há as maiores incidências de queimadas, Mourão se limitou a falar sobre os dados do Inpe, afirmando que os dados são relacionados a focos de calor.

“Um foco de calor não significa um incêndio, vários focos, sim, indicam uma queimada. Então, trabalhamos todo esse período com um grupo de integração e proteção da Amazônia que atua integrado com diferentes agências, que analisam as intensidades desses focos e a persistência dos mesmos, até concluir que aquilo é uma queimada. A partir daí são elegidos os altos prioritários para as equipes que estão trabalhando diuturnamente. Então, até o presente momento, foram apagadas, praticamente, 7,6 mil queimadas, ou seja, é um jogo de ‘gato e rato’, e só irá terminar, quando conseguimos solucionar outros problemas que levam que a pessoa que está no campo use esse processo de queimada, seja para trabalhar no campo, para pastagem ou para propiciar caminho para sua ilegalidade, seja garimpo ou exploração de madeira, então, quando conseguimos remover as causas, conseguiremos vencer a batalha”, disse Mourão.



Plano estratégico

O vice-presidente disse que desde a primeira reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal se partiu para buscar um plano estratégico que não fosse um plano do governo, mas, um plano do Estado brasileiro para a Região da Amazônia.

"A ideia é trabalhar em cima do planejamento estratégico para que se tenha uma continuidade que atinja os objetivos dentro das três grandes vertentes, de proteção, preservação e desenvolvimento. Esses são os três objetivos estratégicos gerais, que vão se traduzir em contratos de objetivos realizados anualmente".

Mourão disse que semana que vem o conselho estará se reunindo com diferentes ministérios parar definir quais serão as metas que terão que atingir em 2021.

“Definido, vamos divulgar essas metas para que a sociedade brasileira possa cobrar. Também, devemos buscar ações prioritárias, as voltadas para melhorias das fiscalizações ambientais, melhoria da qualidade das operações de comando e controle, melhoria dos nossos órgãos de monitoramento, avanço na questão da regularização fundiária, a questão da busca do financiamento internacional e nacional, além do fortalecimento da organização do tratado de cooperação Amazônica, que é importantíssima”, disse Mourão.



Combate

Uma das medidas para o combate das queimadas e ao desmatamento, segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, é identificar o DNA da madeira, descobrindo de onde ela saiu, e juntamente com os países Europeus, traçar uma estratégia para melhorar a fiscalização da madeira que é extraída ilegalmente e exportada para a Europa, Estado Unidos e Canadá.



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