Suposto operador do governador do Amazonas, Wilson Lima, tem ordem de prisão temporária expedida pelo ministro Francisco Falcão, do STJ


A Polícia Federal deflagrou operação nesta quinta para cumprir mandados de prisão temporária contra cinco pessoas, além de buscas e apreensões contra seis investigados na Operação Sangria, que apura que apura corrupção em contratos do governo de Wilson Lima, no Amazonas. 

As medidas cautelares, que incluem o sequestro de bens e valores dos investigados, foram determinadas pelo ministro Francisco Falcão, do STJ, e requeridas pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo. 

A ação mira uma organização criminosa instalada no governo do Amazonas com o objetivo de desviar recursos públicos destinados a atender às necessidades da pandemia de Covid-19. Os investigados são suspeitos de práticas como peculato e lavagem de dinheiro. 

O vice-governador, Carlos Alberto (PTB), está entre os alvos de buscas. Contra outro investigado, apontado como homem de confiança do governador Wilson Lima (PSC), foram expedidos mandados de busca e apreensão e de prisão temporária por cinco dias. 

De acordo com as investigações, o suposto operador teria sido destacado pessoalmente pelo governador para intermediar as aquisições fraudulentas de respiradores e financiá-las, tendo sido responsável por indicar a loja de vinhos que vendeu os aparelhos ao estado.

Provas reunidas na primeira fase da operação no Amazonas mostram que o governador Wilson Lima exercia, segundo a PGR, “domínio completo não apenas dos atos relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas também das demais ações governamentais relacionadas à questão, no bojo das quais atos ilícitos teriam sido praticados”.

Já o vice-governador, de acordo com os registros das investigações, “tinha grande influência na gestão da Secretaria de Saúde, pasta na qual atuou durante os três primeiros meses de governo”.

“As provas apontam que a cúpula da Secretaria de Saúde se reportava frequentemente ao vice-governador para tratar de contratos da área de saúde, inclusive sobre pagamentos”, diz a PGR.

Na peça enviada ao STJ, a subprocuradora-geral da República indica que o inquérito em curso investiga o “direcionamento na contratação da empresa; sobre preço e superfaturamento na aquisição dos respiradores; organização criminosa; lavagem de dinheiro; montagem de processos e adulteração de documentos, com a finalidade de encobrir os crimes praticados”

Para Lindôra Araújo, há “uma verdadeira organização criminosa que se instalou na estrutura do governo do estado do Amazonas, com o objetivo de desviar recursos públicos destinados a atender às necessidades da pandemia de Covid-19”

O esquema de compra fraudulenta de 28 respiradores teria movimentado 2,9 milhões de reais, com envolvimento direto da cúpula do poder do estado. 

Um laudo da PF atesta sobre preço de 133,67% na compra feita pela Secretaria de Saúde do estado com dispensa de licitação. 

Os respiradores foram fornecidos por empresa especializada no ramo de bebidas alcoólicas, denominada “Vineria Adega”

Em uma manobra conhecida como triangulação, uma outra empresa vendeu os respiradores à adega por 2,4 milhões de reais. A empresa, por sua vez, repassou os equipamentos ao governo do Amazonas por 2,9 milhões de reais.



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