Em enfermaria de hospital, acompanhantes estão dormindo embaixo das macas onde ficam os pacientes. O governo do Amazonas declarou que começou um plano de contingência para aumentar o número de leitos para Covid


Manaus voltou a ter UTIs lotadas de pacientes com Covid

Da janela do maior pronto-socorro do Amazonas, o sinal de que as coisas não vão bem. Dentro da unidade, enfermaria lotada. Mal se consegue passar entre as macas. E, embaixo delas, colchonetes e bolsas. É onde dormem os acompanhantes, embaixo dos pacientes.

Nívia estava na enfermaria, acompanhando o marido que está internado. "Acompanhante está dormindo embaixo das macas, no papelão. Todo mundo deitadinho. É o único jeito", reclama a dona de casa.


Segundo o sindicato dos médicos, a superlotação coloca em risco os pacientes, diante de uma possível contaminação por Covid.

“Os pacientes que vão para lá com suspeita, não conseguem ter o diagnóstico com a rapidez que deveria ter. E, com isso, as pessoas que estão circulando lá têm chance de se contaminar, sim”, diz o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Vianna.

O Hospital 28 de Agosto recebe pacientes com todos os tipos de doença, inclusive casos suspeitos e confirmados de Covid. A ocupação dos leitos de UTI está em 83%.

No hospital de referência para o tratamento da Covid, a situação é mais grave. A ocupação das UTIs está em 98% e, em outra unidade de retaguarda, chegou ao limite: 100%.

O governo do Amazonas declarou que começou, nesta segunda (26), um plano de contingência para aumentar o número de leitos para Covid. Segundo o governo do estado, dos meses de novembro a junho é comum o aumento de casos de síndromes respiratórias no Amazonas e, com a Covid-19, isso fica ainda mais grave.

“Com o Covid-19, nós esperamos que esse problema cresça, que ele se agrave. Então, nós estamos executando esse plano de ação. Os respiradores chegam para ampliação de leitos de UTI no Delfina Aziz. Nós estamos com uma quantidade de internação alta e principalmente com pacientes internados com longa duração”, explica o secretário de Saúde Marcellus Campêlo.

Segundo o epidemiologista Jesem Orellana, Manaus já vive a segunda onda da pandemia: “Esse início da segunda onda vem lá de trás, da segunda quinzena mais ou menos, de agosto de 2020, e evolui ao ponto de chegarmos a esse crescimento estarrecedor da média móvel, de aproximadamente 140% na incidência ou de casos novos de Covid. Então, não é isolado”.



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