O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) repercutiu nesta terça-feira, 20, na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a reportagem veiculada no Jornal Nacional na noite da última segunda-feira, 19, na Rede Globo, sobre a segunda fase da Operação Sangria, da Polícia Federal (PF). A reportagem teve acesso à gravações e mensagens trocadas entre agentes da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) que citam a alta cúpula do Governo na compra dos 28 respiradores pulmonares numa loja de vinhos, que custou R$ 2,9 milhões para os cofres públicos.

O parlamentar afirmou que a reportagem é um resumo do que ele vem denunciando na Casa Legislativa nos últimos meses e retrata as investigações feitas pela CPI da Saúde.

“O Jornal Nacional de ontem foi estarrecedor. Secretários de Estado falando abertamente em fraudar licitações, mentiram na CPI e a gente já sabia. A corrupção no governo do Estado é sistêmica, tem chefe e subchefe. Quando a Procuradoria Geral da República (PGR) usou o termo organização criminosa, as sucessivas reportagens do Jornal Nacional e do Fantástico vem materializando o que sustentou a PGR. E falta de aviso da minha parte não foi”, alertou Wilker.

Barreto aproveitou para comentar sobre a carta de exoneração de Carlos Almeida do cargo de secretário da Casa Civil do Estado, enviada para o governador Wilson Lima, no dia 18 de maio deste ano.

No texto, Almeida afirmou que “personagens tão ou mais perigosos se encontram em todos os lugares, às vezes, até mesmo dentro do nosso próprio barco”, salientou o vice, afirmando que seu papel sempre foi de “blindar meu Estado contra esses espectros (fantasmas) ” e alertou o chefe de Estado para “não tombar nos rochedos”.

“Tentei convocar o vice-governador para explicar à sociedade quem são as pessoas perigosas que rondam o governo, dos ratos que estão próximo do queijo. Mas num gesto de conivência com essas pessoas, esta Casa optou pela derrubada do requerimento”, lembrou o deputado, aproveitando para criticar a falta de fiscalização do Parlamento estadual nos atos do Executivo.

“Esta Casa precisa adotar uma postura firme contra a corrupção. Toda semana aparece indícios de corrupção, Governador e secretários se comportando como verdadeiros bandidos e esta Casa acha natural, como se fosse normal e não é. Ou enfrentamos essa corrupção sistêmica ou esta Casa será dragada por ela. Fica o meu questionamento”, ponderou o parlamentar.




Wilker afirma que a Assembleia Legislativa precisa ter coragem para instalar a CPI da Educação

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) concedeu, na manhã desta terça-feira, 20, uma Cessão de Tempo para a coordenadora geral do Sindicato dos Professores e Pedagogos do Estado do Amazonas (Asprom Sindical), Elma Sampaio, para se pronunciar sobre as principais reivindicações da categoria. Entre os principais pedidos da representante, está a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação na Casa Legislativa, para investigar contratos firmados pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc).

Para o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), autor do requerimento que pede a abertura da CPI, a Assembleia precisa de atitudes firmes para combater a corrupção instalada no atual governo, citando que a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito são mecanismos fundamentais para a fiscalização mais rígida do Legislativo sobre o Executivo.

“Eu não sei o porquê desta Casa não criar a CPI da Seduc. No Dia do Professor (15 de outubro), falei que o maior presente que esta Casa poderia dar para os professores era a última assinatura para a instalação da CPI. Não farei parte da comissão por razões obvias do processo político, mas eu acredito que esta Casa tem condições de enfrentar a corrupção deste governo, é preciso ter postura firme”, afirmou o parlamentar, que também sugeriu a CPI da OS e da PPP do Complexo Hospitalar Zona Norte.

Barreto elogiou o posicionamento da professora Elma Sampaio na tribuna da Aleam e afirmou que a não instauração da CPI da Educação colocará em xeque o papel da Casa Legislativa.

“Parabenizo a professora Elma Sampaio pela coragem em trazer todos os apelos da categoria para a tribuna desta Casa porque bater de frente com sistema não é fácil. Vou aguardar esta semana o posicionamento desta Casa, se a CPI da Educação e da OS e PPP não prosperar, aguardem os temporais”, finalizou.




Wilker irá acionar órgãos de controle para fiscalizar contratos do Governo

Em Sessão Ordinária híbrida da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) desta quarta-feira (21), o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) afirmou que irá solicitar aos órgãos de controle do Estado que fiscalizem todos os contratos da Secretaria de Estado de Saúde (Susam). O pedido do parlamentar se baseia na reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculada na última segunda-feira (19), que teve acesso a gravações e mensagens trocadas entre agentes da Susam. O material caracteriza fraude na aquisição de 28 ventiladores de uma loja de vinhos, no valor de R$ 2,9 milhões.

A reportagem mostra que, durante o auge da pandemia da Covid-19 no Amazonas, a alta cúpula do Governo, empresários e integrantes da Susam montaram um esquema de corrupção. A Polícia Federal (PF) diz que houve uma triangulação com superfaturamento final de 133% pelos respiradores inadequados. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) suspeitam que o governador Wilson Lima (PSC) seja o chefe do esquema.

Na semana passada, a PF decretou prisão temporária de cinco suspeitos de envolvimento na fraude. Nos telefones apreendidos, foram encontradas mensagens trocadas pelos investigados. Em uma delas, o ex-secretário da pasta, Rodrigo Tobias, conversa com o ex-secretário executivo adjunto do Fundo Estadual de Saúde, Perseverando Garcia. Tobias afirma que está recebendo algumas demandas do Governador em relação às compras dos respiradores. Por sua vez, Perseverando sugere um processo fantasma para realizar o empenho.

Em outra troca de mensagens, o ex-secretário executivo da saúde, João Paulo Marques dos Santos, pede que Rodrigo Tobias não apague as mensagens trocadas. A PF também suspeita da participação do vice-governador, Carlos Almeida, no processo. “O ex-secretário da saúde canalizava essas demandas, visando a manipulação do processo de aquisição dos respiradores”, disse, em entrevista, o delegado da PF, Henrique Albergaria.

Para Wilker, a atitude dos ex-secretários coloca em xeque todos os contratos firmados na Susam, naquela época. “Me assusta quando um subsecretário afirma para o secretário de saúde, com a maior naturalidade do mundo, que precisa de um processo fantasma para poder causar legalidade no pagamento. Isso é perjúrio. Um ordenador de despesas que sequer maquiou a sua fala, colocando em xeque todos os processos praticados por aquela gestão. Por isso, irei oficializar aos órgãos de controle para fiscalizar os contratos assinados pelos ex-secretários”, explicou Barreto.

O deputado afirmou, ainda, que os desdobramentos da Operação Sangria revelam o “modus operandi” de uma gestão acusada de ser uma “organização criminosa”, conforme a PGR.

“A corrupção é o ‘modus operandi’ deste Governo, que eu chamarei de quadrilha. É uma verdadeira organização criminosa que se apodera de pastas públicas. Se uma secretaria de saúde negociou em cima dos caixões e foi insensível às vidas perdidas, como é que eles estão preocupados em não meter a mão em outras áreas do Estado? ”, questionou o parlamentar, que voltou a criticar a omissão da Assembleia Legislativa sobre os escândalos dos respiradores inadequados.

“Não dá para esta Casa se comportar como se não tivesse acontecido nada no Estado. Votações de projetos são importantes, mas a Assembleia não pode ficar surda e muda no que sai em nível nacional, tratando a pauta como se o Amazonas estivesse voando em céu de brigadeiro, sob pena de ser julgada pela sociedade por omissão ou conluio”, finalizou.





Via Aleam

Foto: Wilkinson Cardoso
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