O deputado Sinésio Campos (PT) fez uma alerta sobre o fato de que 60% das pessoas que contraíram a Covid-19, no Amazonas, são indígenas. E que boa parte desses encontra-se em Manaus, vivendo em ocupações que se assemelham ao modo de organização tribal. O alerta foi apresentado na Sessão virtual realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na manhã da terça-feira (26). Na ocasião, o deputado também anunciou a entrega de uma ambulância, pelo Governo do Estado, na manhã desta terça-feira, ao município de Autazes (distante 112 km de Manaus em linha reta) para o atendimento aos pacientes infectados pelo coronavírus.

A ambulância foi adquirida com recursos das emendas impositivas dos parlamentares realocadas para o Governo do Estado, para o combate à pandemia de Covid-19. O parlamentar lembrou que foram destinados mais de R$ 33 milhões ao Governo do Estado através da realocação de recursos das emendas impositivas pelos deputados, que abriram mão de suas emendas que estavam destinadas a outros propósitos na área da saúde.

Sinésio Campos também relatou que a ambulância foi solicitada pelo prefeito de Autazes, Andreson Cavalcante (PROS), e pela vereadora Suely Lopes (PT). Ele afirmou que o veículo vai beneficiar a sede e comunidades do de Autazes. “É dessa forma que pretendemos continuar trabalhando. Vamos continuar essa soma de esforço entre Aleam, Governo do Estado e Municípios para superar a pandemia. Um trabalho que faz a diferença. Da mesma forma obtivemos dois veículos para São Gabriel da Cachoeira. Uma van para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e uma ambulância. Os recursos que seriam destinados à festas nesses municípios foram utilizados para o bem-estar e saúde da população”, comemorou.

Quanto ao quadro de pandemia entre os indígenas, o deputado disse reconhecer o esforço do Governo do Estado, pela implantação de uma ala exclusiva para atendimento exclusivo desse pacientes no Hospital Nilton Lins, mas voltou a cobrar a necessidade das imediatas instalações de hospitais de campanha, terrestres e fluviais, para auxiliar no combate à pandemia nas regiões do Alto Rio Negro, Alto e Médio Solimões. “O Amazonas concentra a população de 185 indígenas do total de 900 mil do Brasil. Temos a maior população de etnias do País. Boa parte destes já migrou para Manaus e vive em condições precárias e sem assistência devida de saúde”, destacou.

Sinésio Campos disse reconhecer a medida do governador do Estado para instalação do setor exclusivo dedicado aos indígenas no Hospital Nilton Lins. Medida que vem sanar o problema de atendimento no entorno da região metropolitana de Manaus. Mas enfatizou que a situação da pandemia no Alto Solimões (Tabatinga) e Alto Rio Negro (São Gabriel da Cachoeira) continua grave e avançando sobre as etnias. “O próprio prefeito de São Gabriel, que contraiu Covid-19, teve de ser transferido para receber atendimento a capital. Portanto os hospitais de campanha precisam ser efetivados. O Governo Federal tem de se posicionar a respeito da urgência de construção dessas unidades”.

O parlamentar lembrou ainda que requerimentos foram aprovados na Aleam e encaminhados ao Ministério da Saúde. E que, portanto o Amazonas exige uma resposta. Mesmo porque nessas regiões já existe a presença do Exército Brasileiro e trata-se de fronteiras com Peru, Colômbia e Venezuela. “Vejo que já se faz tarde e o Governo Federal ainda não se manifestou. Trata-se de uma questão de segurança nacional e de zelar pela saúde dos indígenas”, cobrou.

O município de São Gabriel da Cachoeira (distante 853 km da Capital), na calha do Rio Negro. abriga a maior concentração de diferentes etnias indígenas do país. Tratam-se de 20 nações indígenas, que representam mais de 75 por cento da população do município de 45 mil habitantes. “Caso essa ação não seja imediata para a instalação de hospitais, para o atendimento das pessoas infectadas, a doença vai avançar e dizimar boa parte de etnias indígenas, por se tratar de pessoas mais vulneráveis à doenças transmitidas por vírus como a gripe”.

Sinésio Campos também ressalta que a construção dos hospitais seja fundamental para minimizar os impactos da Covid-19, a fim de reduzir a curva epidêmica do Estado que se encontra em ascensão e o iminente colapso, do sistema público de saúde, pode e deve ser evitado a partir de ações concretas. “Eu também entendo que o auxílio emergencial deva chegar a todos, inclusive aos indígenas. E, vou continuar a cobrar ações dos governos para os hospitais no Ato Rio Negro, Alto e Médio Solimões e outras regiões do Estado. O Governo do Estado precisa tomar medidas céleres em relação aos municípios. Se já há dificuldades na Capital. Imaginem o caos que está se instalando nestas localidades”, concluiu.

Via Assessoria de Imprensa 
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