Dados mostram Amazonas em 10° lugar entre estados com maior índice de desemprego
 

Manaus é a capital com a maior taxa de desemprego (18,5%) em todo o país, e o Amazonas é o 10° colocado no ranking nacional (14,5%) entre os estados com maior índice de desemprego, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (15).


Os resultados são referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2020 em comparação com os últimos três meses de 2019 e mostram, ainda um crescimento na taxa de informalidade do Estado, que chegou a 58,9%, terceira maior do país.


Por conta da pandemia do coronavírus, que até este momento possui mais de 18,3 mil casos confirmados no Amazonas, o funcionamento do comércio não essencial está fechado desde o dia 15 de março. A indústria também adotou medidas de enfrentamento ao coronavírus, com demissões e paralisações na força de trabalho.


O chefe do IBGE - Amazonas, Ilcleson Mendes Coelho disse que essas primeiras medidas, já são sentidas, mesmo que de forma tímida e que no próximo trimestre devem ser ainda mais expressivas.


É importante considerar que as medidas de isolamento começaram no final de março. É provável que os reflexos dessa crise na taxa de ocupação comece a ser percebidos mais claramente em abril. De todo modo, a pesquisa reflete o resultado de todo o trimestre, assim, os números contemplam sim os possíveis impactos já na última semana de março”, comentou.


Se por um lado, o desemprego cresceu, esse resultado, segundo o IBGE contribuiu para que o número de pessoas trabalhando na informalidade aumentasse (58,9%). De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) do IBGE, no 1º trimestre de 2020, entre 3 milhões de pessoas a partir de 14 anos no Amazonas, mais 1,9 milhão trabalhavam, formal ou informalmente, e mais de 1,1 milhão estavam fora da força de trabalho.


Por informalidade, o órgão descreve o empregado no setor privado (sem carteira assinada) ou trabalhador por Conta-Própria (sem CNPJ e Sem Contribuição para Previdência Oficial) ou empregadores (sem CNPJ e Sem Contribuição para Previdência Oficial) ou trabalhador doméstico (sem carteira de trabalho assinada) ou trabalhador familiar auxiliar.


Taylanna Monteiro trabalhava como assistente financeiro em uma concessionária e contou que foi demitida no início da pandemia do coronavírus, e desde então passou a trabalhar por conta própria, com revenda de produtos de cosméticos.


Deram férias para alguns funcionários, e no retorno das férias fizeram as demissões, foram uns 15 ou mais demitidos. No momento, trabalho com com a venda de produtos de beleza. Essa foi a forma que encontrei para ter uma renda, embora as pessoas estejam um pouco afastadas das compras”, disse.





Desemprego por setor


O único setor que registrou crescimento expressivo foi o de informação e comunicação, com mais de 20 mil contratações. Já o comércio, registrou 1 mil novos contratados.


Segundo os dados, os setores que mais demitiram nesse período foram a construção civil, com a perda de 17 mil postos de trabalho e a administração pública, com demissão de 15 mil trabalhadores. Na sequência, aparece a indústria, com 7 mil demissões, a agropecuária e o serviço doméstico, cada um com menos 6 mil postos de trabalho e o setor de alojamento e alimentação, com 2 mil demissões registradas.


Na análise do economista Edberto Rodrigues, o crescimento do desemprego pode ser atribuído às medidas de isolamento social tomadas em virtude da pandemia do Covid 19.


Nesse cenário de incertezas, muitos profissionais veem a informalidade como uma válvula de escape numa tentativa de auferir renda para fazer jus às suas despesas e compromissos, e esse movimento em direção à informalidade que são refletidos nos dados apresentados”, destacou.

Postagem Anterior Próxima Postagem