Levantamento mostra queda grande nos registros de sepultamentos em comparativo com números do fim de Abril e fim de Maio.



Há pouco menos de um mês, Manaus registrou a marca de 140 enterros em apenas 24 horas. O número, que foi recorde, caiu significativamente ao longo do mês de maio. Neste domingo (24), em toda a capital, foram feitos 44 sepultamentos em 24 horas - o menor número registrado desde a chegada da pandemia ao Amazonas.


Ao longo da última semana, foram, ao todo, 468 enterros em Manaus. A média de sepultamentos diários - que no final de abril era de mais de 100 por dia - caiu para 66. Os números levam em consideração dados do dia 17 a 24 de maio.


A média atual, em meio à pandemia, é ainda 120% maior que os dados registrados antes da chegada do coronavírus em Manaus. Antes da pandemia, a média de sepultamentos diários era de 30, segundo o Sindicato das Empresas Funerárias do Estado (Sefeam). Atualmente, a média é de pouco mais de 58.


Dos 44 mortos enterrados neste domingo:


  • Oito morreram pela Covid-19
  • Duas tiveram registro de causa desconhecida ou indeterminada
  • Oito por motivo de síndrome ou insuficiência respiratória ou parada cardiorrespiratória
  • 26 não tiveram detalhes sobre causa da morte
De acordo com a Prefeitura de Manaus, foram 31 sepultamentos em cemitérios públicos da capital, e 13 em particulares.


"Do total de sepultamentos e cremações no sistema público, 11 utilizaram o serviço SOS Funeral, gerenciado pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). Não foram registrados sepultamentos de mortes em domicílio e dos municípios do interior do Amazonas", resume nota da prefeitura, que também detalha as causas das mortes.





Subnotificações e "enterros" como referência

O próprio Governo do Amazonas já chegou a anunciar que, atualmente, os dados de sepultamento são levados em grande consideração para que se tenha uma boa base da real situação do Amazonas em meio à pandemia.


O governo também já admitiu que é possível que haja subnotificação de mortes por Covid-19 no Amazonas já que o Estado realiza testagem para o vírus apenas em casos graves da doença.


As confirmações são realizadas por diagnóstico laboratorial de pacientes internados. Porém, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria das pessoas (cerca de 80%) apresenta sintomas leves da doença.




Sistema funerário 'respira'

A maioria dos sepultamentos é feita no cemitério Nossa Senhora Aparecida, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, que recebeu a instalação de contêineres frigoríficos para armazenar corpos. Foi lá também que a prefeitura abriu valas comuns para conseguir suprir a demanda de enterros.


Em meio ao pico das mortes, no final de abril, o sistema chegou a cavar valas comuns e até empilhar caixões - medida esta que foi revertida pela prefeitura.


Desde então, com a diminuição de casos, o sistema "desafogou" e volta a viver quase uma rotina costumeira, com um leve acréscimo nos números que já eram diariamente trabalhados.

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