Especialistas orientam que alguns medicamentos podem ser considerados os 'vilões' no enfrentamento do novo coronavírus e alertam sobre os grupos de risco




Com o surgimento da covid-19 e tantas incertezas em relação a doença, muitos "vilões" foram aparecendo como agravantes da doença. Um exemplo são os medicamentos, como foi o caso do ibuprofeno e outros anti-inflamatórios usados em casos de dor, febre, inflamações e cólicas menstruais.

O Ministério da Saúde chegou a orientar “o não uso” do ibuprofeno, pois utilizado com frequência poderia estimular receptores que facilitariam a entrada do vírus na célula. Contudo, tanto o Ministério como a Organização Mundial de Saúde (OMS) "voltaram atrás na informação", alegando que não havia provas conclusivas do maleficio do medicamento.

Em seguida, os fármacos de uso contínuo utilizados para tratar pessoas cardíacas e hipertensas foram apontados como medicamentos de risco. Então, ficou a dúvida: medicamentos podem agravar os quadros de covid-19?
"Muitas pessoas estão com dúvidas se algumas classes de medicamentos podem agravar os quadros da doença causada pelo novo coronavírus. Mas, a princípio, devemos informar a população que não se deve realizar qualquer interrupção de tratamentos sem a recomendação do seu médico", ressaltou o gerente farmacêutico da Farmácia Mônica, Leonardo Soares.

De acordo com estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma parcela de 54,5% da população adulta brasileira, cerca de 86 milhões de pessoas, apresenta ao menos um fator de risco para manifestações graves da covid-19.

O infectologista Eliseu Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, destaca que os hipertensos geralmente fazem uso de remédios que são inibidores de uma enzima intimamente ligada à infecção pelo novo coronavírus. Isso porque o uso desses medicamentos resulta na elevação da chamada “enzima conversora de angiotensina 2". O vírus precisa dessa enzima no organismo para infectar os tecidos do corpo – especialmente o sistema cardiovascular.

O farmacêutico Leonardo Soares complementa que essa enzima inibe um sistema do organismo, que atua no controle do volume de líquido extracelular e na pressão arterial, que tem a produção estimulada quando o paciente ingere medicamentos para hipertensão como, Losartana, Candesartana, Valsartana, entre outros.

Pacientes que fazem uso de medicamentos para hipertensão toleram melhor a suspensão dos mesmos, apesar de ser clinicamente difícil substituí-los. Os portadores de insuficiência cardíaca, ao contrário, demonstram descompensações clínicas evidentes na suspensão desses medicamentos, inclusive em pacientes já infectados. Também é preciso estar atento com os medicamentos imunossupressores, que diminuem a imunidade.

De acordo com um relatório (Covid-Net) criado pela Vigilância nos Estados Unidos, em 14 estados americanos, aproximadamente 89% dos adultos hospitalizados apresentavam outras doenças crônicas. As mais comuns, conforme o relatório, são: hipertensão (49,7%), obesidade (48,3%), doença pulmonar crônica (34,6%), diabetes mellitus (28,3%) e doença cardiovascular (27,8%). 



Sistema Imune 

Existem alguns fatores genéticos, além da idade, do estilo de vida, de comorbidades e de hábitos de higiene que interferem na nossa capacidade imunológica. É exatamente por isso que algumas pessoas são mais susceptíveis a complicações que outras quando são infectadas pelo novo coronavírus. Cada organismo reage de uma forma diferente. 

De acordo com o nutricionista Rodrigo Loschi, o sistema imunológico é responsável por combater a ação negativa, por meio de células específicas, contra invasores, tais como microrganismos ou substâncias nocivas.



"Nosso organismo está exposto a bactérias, fungos, vírus e demais agentes que podem apresentar perigo quando estamos com o sistema imunológico fragilizado. Sem os nutrientes essenciais nosso organismo não se desenvolve nem funciona de forma adequada. O organismo exige vários minerais e vitaminas (micronutrientes) e nem todos eles são produzidos naturalmente pelo corpo, então você tem de ingeri-los na dieta ou completá-los na forma de suplementos", orienta o profissional.



A farmacêutica e gerente geral da Farmácia Mônica, Olga Martins, explica como fortalecer o sistema imune por meio da alimentação e o uso de vitaminas, tornando o organismo mais forte no combate ao vírus. "O sistema imunológico vai ter uma demanda diferente para cada fase da vida. As vitaminas e os sais minerais estão presentes nos alimentos, principalmente nos cítricos como kiwi, laranja, hortaliças, brócolis, tomate, couve por exemplo. Mas, nem sempre a gente consegue comer na quantidade que o organismo necessita, por isso que a suplementação é extremamente benéfica, pois ela auxilia quando a alimentação não é o suficiente".



No vídeo, a farmacêutica dá mais informações sobre a suplementação:




Prevenção

Pelo seu alto poder de contágio, além de permanecer por muito tempo fora do corpo humano, as medidas de prevenção pessoal, como lavagem das mãos por exemplo, são prioridade e devem ser estimuladas em pacientes cardiopatas, principalmente em locais onde o foco de contaminação é maior.

É recomendável triar pacientes infectados pela covid-19 que possuam doenças cardiovasculares, renais, pulmonares e outras patologias crônicas para atendimento prioritário.

"Os sintomas de um infarto agudo do miocárdio ou de descompensação de insuficiência cardíaca podem estar mascarados pelos sintomas do novo coronavírus. Por isso, é importante que os pacientes cardiopatas sigam o tratamento corretamente, além de estar em dia com as vacinas", orienta o cardiologista Felix Ramires.

Suspensão de medicamentos

O farmacêutico Sérgio Gama Junior, da Rede de Farmácia Mônica, ressalta que pessoas que fazem uso de medicamentos contínuos não devem interromper sem antes ter a orientação de um médico. 

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