A manifestação, que durou cerca de uma hora, ocorreu na manhã desta segunda-feira (27) e reivindica equipamentos de trabalho e salários atrasados


Cerca de 200 profissionais da saúde, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem que atuam no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, no bairro Adrianópolis, zona centro-sul da capital, paralisaram suas atividades, por cerca de uma hora, na manhã desta segunda-feira (27), como forma de protesto pelos salários atrasados e falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

O ato, que já tinha sido anunciado neste domingo (26), também teve aderência de médicos que trabalham na unidade de saúde. De acordo com o enfermeiro Gerson Bastos, a manifestação busca alertar a sociedade para falta de EPIs para os profissionais que estão atuando na linha de frente do combate ao novo coronavírus (Covid-19).



Profissionais continuam a denunciar falta de EPIs e de pagamento em hospital


Em mais um vídeo postado nas redes sociais, profissional da saúde reclama das condições de trabalho no 28 de Agosto, em plena pandemia da Covid-19




Com o número de casos confirmados para o novo coronavírus que aumenta a cada dia, diversos profissionais estão denunciando o sucateamento e colapso da saúde pública no Amazonas. Nos últimos dias, Manaus registrou manifestação em frente a unidades de saúde e, principalmente, nas redes sociais. O Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto é denunciado por profissionais pela falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e corte no salário para quem trabalha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um profissional da saúde, identificado como Miro, denuncia a falta de EPI’s no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, onde trabalha há 13 anos na UTI.




“Trabalho na maior UTI da América Latina e tá sucateada. Não temos materiais, é um kit de EPI por noite e a gente se contamina com sangue, secreção e não tem outro para trocar. É um despreparo do governo, nos colocar na linha de frente, onde todo mundo precisa dos nossos serviços e nós somos coagidos a não falar nada”, desabafou.

Segundo o profissional, a direção do Hospital 28 de Agosto está orientando os funcionários a não falarem nada sobre a situação e informar à imprensa que há material disponível.

“Isso é uma inverdade. Não temos material! Cadê as doações de álcool em gel que a empresa doou? Não aparece! Tem que fazer uma vistoria na casa desses funcionários. Infelizmente, a saúde está em colapso, está sucateada, não temos condições de serviço”, pontou o profissional.

Os profissionais de saúde que trabalham na UTI da unidade hospitalar, tiveram corte de 40% no acréscimo do salário para quem trabalha nesse setor. “Isso não é justo! Estamos direto com esses casos. Meus amigos, entreguei a minha escala, infelizmente não tenho condições de trabalho, colegas também entregaram. Muitas pessoas vão morrer. Eles pagam R$ 1.500 e é o cala boca que nós recebemos. Por favor, ajude a saúde. Pode ser que um dia você precise de nós”, diz Miro, emocionado.

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam) para verificar as informações a respeito dos equipamentos e salários dos profissionais, além das doações de álcool em gel. Até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta da assessoria do órgão.



Nota da Susam

O governo do Amazonas informa não há falta de EPIs. Todos os profissionais que estão nos setores de emergência, Sala Rosa, Politrauma e UTI estão recebendo máscara N95 e outros EPIs necessários, conforme protocolo de recebimento assinados pelos próprios. Mesmo com a dificuldade de aquisição no mercado e o aumento no consumo, que quintuplicou desde o início da pandemia, o governo do Amazonas não tem medido esforços para garantir o abastecimento das unidades da rede estadual na capital e no interior.

Entre os dias 17 e 24 de abril, o HPS 28 de Agosto recebeu da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) cinco remessas de EPIs, com 143,1 mil itens, incluindo 18 mil máscaras cirúrgicas, 700 máscaras N95, 1 mil máscaras de proteção respiratória, 850 kits completos de EPIs produzidos pela UEA, entre outros equipamentos de proteção.

A Secretaria Estadual de Saúde tem orientado o uso racional e correto de EPIs, conforme recomendações da Anvisa e da Fundação de Vigilância em Saúde e, desde o início da pandemia, vem difundindo materiais educativos para serem trabalhados nos núcleos de vigilância das unidades. Os equipamentos são distribuídos aos profissionais de acordo com a situação, o ambiente e o tipo de procedimento realizado em suas unidades.

Quanto à alimentação dos profissionais de saúde, a direção do HPS 28 de Agosto ressalta que além do ticket alimentação, as refeições são realizadas na própria unidade, portanto não ficam desassistidos.

Para o combate à Covid-19, o governo do Estado fez aquisição de mais de 4 milhões de máscaras entre cirúrgicas e N95, 36 milhões de pares de luvas descartáveis, 400 mil aventais impermeáveis, 49,1 mil aventais cirúrgicos, 1,2 milhão de aventais descartáveis, 35 mil sapatilhas, 41 mil toucas, 1.115 óculos de proteção. Também recebeu várias remessas do Ministério da Saúde, incluindo 292 mil máscaras cirúrgicas e cerca de 415 mil pares de luvas descartáveis, entre outros itens. Vem recebendo ainda contribuição de diversas empresas parceiras e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que está produzindo EPIs para os hospitais da capital e interior.



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