De acordo com o ‘Estadão’, o presidente Jair Bolsonaro entrou em contato com o governador do Amazonas, nesta quarta-feira (22), mas este disse que a “situação está sob controle”


Deputados estaduais do Amazonas criticaram o governo do Estado por não aceitar intervenção federal na área de Saúde do Amazonas, sob alegação de estar ‘tudo sob controle’, de acordo com matéria publicada pelo site do ‘Estadão’.

Na tarde desta quarta-feira (22), o ‘Estadão’ revelou que o presidente Jair Bolsonaro consultou o Amazonas sobre a possibilidade da intervenção, “porém, o governador Wilson Lima (PSC) disse que a situação está sob controle, o que fez o Palácio do Planalto descartar intervir no Estado”.

A postura adotada vai de encontro com afirmação da secretária de Estado de Saúde Simone Papaiz que revelou, também na quarta, durante audiência na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), que mais de 90% dos leitos de UTIs em Manaus estão ocupados.

Para o deputado estadual Delegado Péricles (PSL), o governo do Estado não pensou na população quando rejeitou essa intervenção. “(O governo do Amazonas) tomou uma decisão política e não considerou a gravidade vista e sentida por todos nós em todas as unidades de saúde do nosso Estado. Desde o início, o que se tem visto é uma insistente negativa do governo em obter ajuda federal – mesmo diante da disposição federal em investir e auxiliar o Estado -, assim como tem ignorado propostas do parlamento e dito não à oferta de ajuda da rede privada de saúde”, disse.

Péricles frisou que os números negativos só aumentam a cada dia. “Se a política de combate implantada não tivesse graves falhas, ao menos o atendimento aos pacientes e a estruturação das unidades estaria sendo resolvida, e teríamos salvado muitas pessoas. Nós estamos vivendo as consequências dessa postura”, informou.

Ainda segundo o parlamentar, a gestão da saúde do Estado está totalmente sem controle. “A presença da secretária de saúde na reunião virtual da ALE, desta quarta, só reforçou o fato de que não há preparo ou planejamento que combata de forma efetiva a pandemia que o Amazonas enfrenta. São falhas que vão desde organização e logística – como a descentralização de atendimentos de pacientes com Covid -, até falhas graves como a aquisição de equipamentos secundários e a falta de transparência quanto à utilização de recursos. Nada está sob controle e o crescimento de casos e mortes têm transparecido essa falta de comando”.


Acesso

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) foi mais duro em sua análise da negativa do governo. Para o parlamentar, a gestão Wilson Lima teme que um eventual interventor tenha acesso aos contratos e pagamentos da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

“Eu nunca vi afogado negar ajuda. Para qualquer amazonense, o Wilson Lima perdeu o controle de enfrentamento da pandemia (…) Mas eu sei as verdadeiras razões dele não ter aceitamos a intervenção. É porque, ao aceitar, quem sentar na cadeira de secretário de Saúde é um interventor federal que iria ter acesso a toda a ‘maracutaia’ que tem lá dentro. Se o Wilson aceita a intervenção federal, eu lhe garanto que iria sair prisões no Amazonas, Não há dúvidas que, ali no Susam, o negócio está sem controle. Este é o real motivo do Wilson Lima, despreparado, no colapso com a Saúde, não aceitar dividir as responsabilidade com um ente maior, de maior envergadura que é o governo federal”, afirmou o deputado.

Para o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), o governo estadual deveria aceitar e até pedir ajuda, principalmente do governo federal. “Está agindo ao contrário é isso preocupa”. De acordo com Serafim, “é preocupante o quadro como um todo. A rede pública está colapsada. Só agora a Susam (Secretaria de Estado de Saúde) efetivamente começa a se mexer, depois de ter dinamitado pontes e erguido muralhas com a sociedade, os poderes e os profissionais da saúde”, frisou.

Outro parlamentar a se manifestar foi o deputado Dermilson Chagas (sem partido) que a atitude do governador ao negar ajuda por meio da intervenção deve “afundar” ainda mais a atual gestão. “Isto sufoca a opinião pública, se torna inadmissível, porque o gasto do governo federal está sendo mal aplicado, superfaturado, aplicação errada e sem retorno. Mostra que o Wilson é um vaidoso, orgulhoso e que não compreendeu ainda o momento nem a situação no momento crítico do Estado. Toma atitude imediatista e mostra a inexperiência dele. A vaidade e orgulho não cabem neste momento”, afirmou.







Via D24 AM
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