Ala Militar fortalecida: General assume a chefia da Casa Civil na próxima terça-feira (18)

General do Exército Walter Souza Braga Netto substitui Onyx Lorenzoni na Casa CivilMarcelo Camargo / ABR

A partir da próxima terça-feira (18), o General de Exército Walter Souza Braga Netto passará a ocupar a chefia da Casa Civil no lugar de Onyx Lorenzoni — que foi para o Ministério da Cidadania. O mais novo integrante será um "Gerentão": terá a missão de coordenar e organizar as ações do governo federal nos ministérios.

Ele reforçará o time composto pelo General de Exército Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), pelo General de Exército Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e pelo Major da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Antonio de Oliveira (Secretaria-Geral).

De acordo com assessores e parlamentares que observam o dia a dia do poder, a intenção de Jair Bolsonaro ao convidar Braga Netto para o cargo seria dar a esse grupo um formato mais alinhado com sua personalidade.

"Pra mim, não é surpresa. O governo tem buscado cada vez mais dar característica mais aproximada do jeito de pensar e agir do próprio presidente", informou o deputado Ronaldo Santini (PTB).


Embora tenha confiança em Onyx, Bolsonaro não estava satisfeito com os resultados da Casa Civil. Recebia frequentemente reclamações de parlamentares sobre o tratamento dado a eles. Em Julho, com a nomeação de Luiz Eduardo Ramos, Onyx perdeu para a Secretaria de Governo a responsabilidade pela articulação política com o Congresso Nacional. O Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), joia da coroa na Casa Civil, que abrigava projetos de concessões e privatizações, também andava a passos lentos e foi transferido nas últimas semanas para o Ministério da Economia. A pasta, então, ficou esvaziada.


Foi neste momento que a situação do gaúcho começou a ficar mais tensa dentro do governo. Enquanto estava de férias, no fim de janeiro, viu o secretário-executivo, Vicente Santini, ser exonerado por Bolsonaro sem ser avisado. A astúcia do adjunto, que usou avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir até a Suíça e a Índia em Janeiro, provocou a ira de Bolsonaro. Insuflado por seus filhos e pelo grupo de assessores com voz ativa no Planalto, o presidente começou a pensar, a partir dali, o rearranjo no núcleo duro do governo.



Os militares do Palácio do Planalto


Há quem não goste do amplo espaço dado pelo presidente da República aos militares e lamente a saída de mais um civil do núcleo duro do governo. Embora não se manifeste publicamente, a bancada dos liberais critica, em conversas reservadas, a ideia de ter “mais um militar e menos um político na Esplanada”.


As mudanças serão oficializadas em cerimônia no Palácio do Planalto na próxima terça-feira (18).


Via GauchaZH
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