Transmissão entre humanos do vírus causa uma grave pneumonia. EUA, Japão, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul também confirmaram casos da doença.



A Organização Mundial da Saúde (OMS) se reúne nesta quarta em Genebra, na Suíça, e pode decretar “emergência de saúde pública de interesse internacional”.


Até o momento, a OMS usou essa denominação apenas em casos raros de epidemias que exigem uma vigorosa resposta internacional, como a gripe suína H1N1 (2009), o zika vírus ( 2016) e a febre ebola, que devastou parte da população da África Ocidental de 2014 a 2016 e atinge a República democrática do Congo desde 2018.





Apelo para não viajar




Autoridades fizeram apelos para que as pessoas não viagem para a cidade de Wuhan. Milhões de chineses, por todo o país, costumam se deslocar por causa do feriado do Ano Novo Lunar, que acontece nesse semana. Mesmo os que moram fora do país costumam regressar nessa ocasião.


"Basicamente, não vá a Wuhan. E quem estiver em Wuhan não deixe a cidade", declarou o diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin. Ele também alertou que o coronavírus pode sofrer mutação e se propagar mais rapidamente.


A comissão anunciou medidas para conter a doença como a desinfecção e a ventilação de aeroportos, estações de trem e shoppings.


"Quando for necessário, os controles de temperatura também serão adotados em áreas-chaves e locais muito frequentados", informou a comissão.


Aeroportos na Turquia, na Rússia, nos Estados Unidos e na Austrália estão utilizando monitores infravermelhos para identificar possíveis casos da doença. O aeroporto de Heathrow, em Londres, separou um terminal só para os viajantes que chegam de regiões já afetadas pelo vírus.


Por enquanto, a OMS não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem.


Aeroportos em Cingapura, Tóquio e Hong Kong estão examinando passageiros aéreos vindos de Wuhan, e autoridades americanas anunciaram medidas semelhantes em três grandes aeroportos do país: San Francisco, Los Angeles e Nova York.





As infecções





Autoridades de Wuhan, cidade central chinesa com 11 milhões de habitantes — e que é o epicentro da epidemia —, afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais.


Até a noite de domingo, 170 pessoas estavam internadas em hospitais de Wuhan, nove delas em estado crítico.


Em Pequim, são ao menos cinco casos confirmados. Um paciente foi diagnosticado com a doença em Xangai (uma mulher vinda de Wuhan).


No exterior, há quatro registros de casos: dois na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa.


Nesta segunda-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, fez seu primeiro pronunciamento público sobre o surto, dizendo que o vírus deve ser "decididamente contido".


Nesta semana, a maioria dos chineses iniciará os festejos (de uma semana) pelo Ano-Novo Lunar, quando viajarão pelo país para visitar familiares. Isso desperta o temor de mais contaminação e de que as autoridades chinesas tenham dificuldade em monitorar o avanço da doença.


Em Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas.





'Inquietante'



Especialistas britânicos que estão monitorando a doença afirmam que há sinais para "inquietação", embora a capacidade de resposta a epidemias do tipo tenha crescido.

"Até o momento, é difícil saber o quão preocupados devemos estar. Até termos a confirmação da fonte (primária da doença), ficaremos com essa inquietação", disse à BBC Josie Golding, da fundação de pesquisas médicas Wellcome Trust. Ela agrega, porém, que "estamos (comunidade médica) muito mais preparados para lidar com esse tipo de doença" do que no início dos anos 2000, quando houve a epidemia de Sars.


Jonathan Ball, epidemiologista da Universidade de Nottingham (Reino Unido), afirma que "devemos nos preocupar com qualquer vírus que exploram os humanos pela primeira vez, porque (isso significa que) eles superaram uma grande barreira inicial".


"Quando o vírus está dentro de uma célula (humana) se replicando, ele pode gerar mutações que permitam que se espalhe de modo mais eficiente e se torne mais perigoso", afirmou Ball.





Sintomas e transmissão






Chamado de 2019-nCoV, o coronavírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. É um tipo de pneumonia que é transmitida de pessoa para pessoa.


Parece ser uma nova cepa de um coronavírus que não havia sido previamente identificado em humanos — coronavírus são uma ampla família de vírus, mas poucos deles são capaz de infectar pessoas.


O período de incubação e a origem do vírus ainda não foram identificados. Porém, a fonte primária é provavelmente um animal, de acordo com a OMS. As autoridades chinesas vincularam o surto a um mercado de frutos do mar na cidade chinesa de Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados.


Pelo menos 15 trabalhadores da área da saúde, que teriam tido contato com os doentes, também foram infectados.




Surto


Os novos casos trouxeram de volta os registros da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), outro tipo de coronavírus que surgiu na China nos anos de 2002 e 2003, resultando na morte de quase 800 pessoas em uma pandemia global.


Dois casos já foram identificados na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul.


Taiwan, ilha autogovernada que a China reivindica como sua, também confirmou uma infecção pelo vírus, uma mulher que retornou de trabalho em Wuhan.


Os casos suspeitos estão México, em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália.


O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, disse nesta quarta-feira que as autoridades investigam uma suspeita no estado de Tamaulipas, na fronteira norte. Ele afirmou que um segundo caso já foi descartado.


Na Austrália, um homem que viajou a Wuhan está passando por exames em local isolado.

Via G1
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