"Autores estão presos mas dois corpos não foram encontrados por falta de mergulhadores na cidade", alega a família das vitimas


Na aldeia vivem não indígenas que há algum tempo entram em conflito com os indígenas. Denúncias foram levadas à Funai

Três indígenas do povo Miranha, da Terra Indígena Cajuhiri Atravessado, município de Coari (AM), na região do Médio Solimões, localizado a 363 quilômetros de Manaus, foram mortos no início desta semana. De acordo com o comando da Polícia Militar, Joab Marins da Cruz foi assassinado em sua casa, na aldeia Cajuhiri Atravessado, durante a noite de segunda-feira (6). Marcos Marins da Cruz e Francisco Martins da Cruz foram mortos por volta das seis horas de terça-feira (7), após localização e perseguição aos autores dos disparos contra Joab.

De acordo com o comandante da PM de Coari, tenente-coronel Pedro Moreira, o professor Joab Marins da Cruz foi morto depois de uma desavença com outros moradores da localidade. O irmão dele teria roubado uma espingarda de outro morador.


Presidente da ACIC afirma que conflitos com não indígenas vinham sendo alertados à Funai, mas providências não foram tomadas.

Na noite de terça, um grupo ligado ao proprietário da arma se dirigiu à casa de Joab para tentar recuperar a espingarda. Os integrantes do grupo relataram à PM que Joab tentou atirar neles. Eles revidaram e acabaram alvejando o professor, que ainda foi levado para o hospital da sede do município de Coari, mas não resistiu indo a óbito pouco tempo depois.

“Os parentes do Joab prometeram vingar a morte. O pai dele e um sobrinho saíram em perseguição em um bote onde também estavam a esposa e dois filhos”, relata o tenente-coronel Pedro Moreira. “Por volta das seis horas, se encontraram. Depois de travar luta corporal, o pai e um irmão de Joab foram golpeados com remo, caíram na água e morreram”, acrescenta.


Conflito com não indígenas

O presidente da Associação de Comunidades Indígenas de Coari (ACIC), Francisco Alves da Silva, disse que o conflito entre os moradores da aldeia Cajuiri Atravessado acontece há muito tempo. Segundo ele, na aldeia vivem indígenas e não indígenas. Joab e seus familiares teriam sido mortos por não indígenas que teriam desavença com os familiares das vítimas por causa da extração de castanha na localidade.

Francisco Alves disse ainda que familiares dos indígenas mortos já tinham registrado ocorrência na delegacia de Coari e na Fundação Nacional do Índio (Funai), alertando que uma tragédia poderia acontecer. Nenhuma providência teria sido tomada.

O presidente da ACIC diz, ainda, que podem acontecer outros conflitos de gravidade semelhante. Essa opinião é compartilhada pelo comandante da PM. “Se eles ficarem todos no mesmo local vai haver mais mortes”, prevê o tenente-coronel Pedro Moreira.

O comandante da PM informou que um dos autores das mortes foi preso e apresentado na delegacia de polícia na noite de terça (8).


Autores de assassinato de indígenas foram presos em Coari-AM

Os suspeitos confessaram a autoria do assassinato. O crime foi motivado por uma briga de terras, além de uma rixa por conta do roubo de uma arma de fogo

Policiais da Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) e do 5º Batalhão de Polícia Militar de Coari prenderam Alex de Oliveira da Silva, 19 anos, Erivan Santos de Oliveira, 24 anos, e Marlison Carvalho Bandeira, 37 anos, na quinta-feira, 9, pelo triplo homicídio de indígenas ocorrido em Coari (a 363 quilômetros de Manaus), entre os dias 7 e 8 deste mês.


As vítimas foram os irmãos de origem indígena Joabe Marins da Cruz, Marcos Marins da Cruz e Francisco Cardoso da Cruz.

Em depoimento, os suspeitos confessaram a autoria do assassinato.

Além do trio responsável pelo homicídio, durante as buscas outras duas pessoas foram presas pelas equipes policiais: os irmãos Leandro e Mateus Oliveira da Silva, por posse ilegal de arma de fogo. Com eles, foram apreendidos uma espingarda calibre 16 e três espingardas calibre 20, um motor de embarcação e um bote.

De acordo com o delegado José Afonso Barradas, o crime foi motivado por uma briga por terras, além de uma rixa por conta de suposto furto de uma arma de fogo.

Para vingar o suposto furto do armamento, Marlison, Erivan e Alex, acompanhados de mais dois homens, se aproximaram de Joabe e efetuaram um disparo de arma de fogo contra a vítima.

Horas depois, para vingar a vítima, os irmãos de Joabe foram até uma comunidade à procura dos suspeitos. Quando estavam em uma embarcação, a caminho, foram interceptados pelos autores do crime, que conseguiram derrubar os homens na água e fugiram no bote dos familiares de Joabe.

Marcos e Francisco acabaram morrendo afogados e seus corpos não foram encontrados.

O delegado disse, ainda, que as investigações continuam para capturar outros dois homens envolvidos no assassinato.

Os suspeitos foram levados à Delegacia Interativa de Polícia de Coari, onde foram autuados em agrante pelo crime de homicídio qualificado.

Família pede mergulhadores em Coari para encontrar corpos

A Cacique Enelrina Marins da Cruz Miranha que é esposa e mãe das 3 vitima alega que os corpos de duas das vitimas ainda não foram encontrados por falta de equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar na cidade de Coari.

"A minha dor é enorme mas desejo encontrar os corpos para dar um enterro digno aos meus filhos", diz a Cacique Enelrina Miranha.

Funai
Procurada a Funai Brasília afirma que acionou a Polícia Federal e que irá deslocar uma equipe de campo para averiguar toda a situação in loco.


Via CIMI e Amazonas Atual
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