O STF (Supremo Tribunal Federal) liberou a publicação da biografia não autorizada de Suzane Von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão em 2006 por envolvimento na morte dos pais, ocorrida em 2002, na casa das vítimas no Brooklin (zona sul da capital paulista).



A decisão de liberação da biografia, concedida por Alexandre de Moraes em primeiro grau, atendia ao pedido da própria biografada, condenada pelo assassinato dos próprios pais, Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, em crime ocorrido no ano de 2002.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, cassou ontem, quarta-feira (18) a decisão da Comarca de São José dos Campos (SP) que havia suspendido a publicação, venda e a divulgação de uma biografia não autorizada de Suzane Von Richtofen, do escritor e jornalista Ulisses Campbell.

A decisão de Alexandre, em primeiro grau, atendia ao pedido da própria biografada, condenada pelo assassinato dos próprios pais, Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, em crime ocorrido no ano de 2002.



Na reclamação (RCL) 28201, o autor da biografia argumenta que, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815, o Supremo decidiu que não é necessário qualquer tipo de autorização prévia da pessoa biografada para a publicação de obra literária e que não é possível determinar judicialmente o impedimento de edição, publicação, circulação e divulgação de obras literárias.


Apon
tou, também, afronta à decisão da Corte no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, em que se garantiu a liberdade de manifestação do pensamento.


Ao decidir, o ministro sustenta que não há previsão constitucional para restringir a liberdade de expressão no seu sentido negativo, limitando-se preventivamente o debate público em razão de uma conjectura sobre o efeito que certos conteúdos possam vir a ter junto ao público.


Lembrou ainda que, no julgamento da ADI 4815, a Corte conferiu interpretação aos artigos 20 e 21 do Código Civil para afastar a possibilidade de censura prévia particular, em conformidade com a Constituição. Segundo o ministro, ao determinar a suspensão da obra, o juízo de São José dos Campos impôs censura prévia:

Cujo traço marcante é o caráter preventivo e abstrato de restrição à livre manifestação de pensamento, que é repelida frontalmente pelo texto constitucional, em virtude de sua finalidade antidemocrática

Ao julgar procedente a Reclamação e cassar a decisão que determinou a suspensão da edição, da publicação, da venda e da divulgação da biografia não autorizada de Suzane Von Richtofen, o ministro ressaltou que o funcionamento eficaz da democracia representativa: 

Exige absoluto respeito à ampla liberdade de expressão, possibilitando a liberdade de opinião, de criação artística, a proliferação de informações, a circulação de ideias


Caso Richthofen  (Link Wikipedia)

É o nome pelo qual tornaram-se conhecidos o homicídio, a consequente investigação e o julgamento das mortes de Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, casal assassinado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos a mando da filha Suzane von Richthofen.

Suzane e Daniel conheceram-se em agosto de 1999 e começaram um relacionamento pouco tempo depois. Ambos tornaram-se muito próximos, mas o namoro não tinha o apoio das famílias, principalmente dos Richthofen, que proibiram o relacionamento. Suzane, Daniel e Cristian então criaram um plano para simular um latrocínio e assassinar o casal Richthofen, assim os três poderiam dividir a herança de Suzane

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