A situação dramática das crianças com reações alérgicas alimentares, que podem levar à morte, foi exposta pelas mães durante Audiência Pública realizada na manhã desta terça-feira (3), no auditório João Bosco da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), por iniciativa da deputada professora Therezinha Ruiz (PSDB), que anunciou a criação de uma Semana Estadual de Conscientização sobre a Alergia Alimentar, por meio de Projeto de Lei (PL) que tramita na Casa.

Dentre as propostas definidas na Audiência destacam-se o atendimento adequado nas unidades de saúde e nas escolas, com refeição diferenciada para os alunos com alergia alimentar; a criação de um selo para certificar estabelecimentos que comercializam alimentos seguros para os portadores do problema e a publicação de uma cartilha com orientações aos pais para identificar o quadro de alergia alimentar e sobre os procedimentos no caso de reações com sintomas graves.

Para a deputada Therezinha Ruiz é preciso sensibilizar as autoridades e a sociedade, sobre a gravidade do problema que afeta não só os filhos de famílias com condições financeiras, mas atinge crianças de famílias pobres que necessitam de informações sobre o problema e de acompanhamento e tratamento adequado.

A Semana Estadual de Conscientização sobre a Alergia Alimentar, segundo a deputada, será um instrumento para chamar a atenção do Poder Público para as medidas que precisam ser tomadas principalmente nas áreas de educação e saúde, visando o atendimento apropriado às pessoas que sofrem com alergia alimentar. A Semana deverá ser realizada sempre no mês de maio.

Durante a Audiência, as mães de crianças alérgicas, principalmente à proteína do leite, reivindicaram tratamento e atendimento adequado. Elas reclamaram da falta de profissionais capacitados nas unidades de saúde, para tratar dos quadros de alergia, que precisam de medicação apropriada para os sintomas de cólica, diarréia, sangue nas fezes, inchaços, falta de ar, dificuldade de engolir, até os casos mais graves de choque anafilático.

Foi desesperador chegar a uma UBS com uma criança com reação alérgica que ninguém sabia como tratar, além de não encontrar a medicação apropriada à base de adrenalina

Desabafou uma das mães. Outra mãe citou o caso do filho portador do problema, que tomou vacina no posto médico, e desencadeou um quadro alérgico grave, sem receber o atendimento correto.



Olho no rótulo


Em sua palestra, a procuradora de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Fernanda Mainier Hack, disse que a alergia alimentar é um problema de saúde pública, que afeta cada vez mais pessoas de todas as idades e classes sociais. Ela chamou a atenção para os cuidados com os produtos industrializados. “É fundamental ler no rótulo das embalagens, as substâncias que compõem o alimento”, alertou.

Idealizadora do Alergia a Alimentos Brasil, Fernanda Hack enumerou alimentos como trigo, leite, ovos, amendoim, peixes, crustáceos e castanhas, que podem desencadear quadros de alergia, impondo ao paciente uma vida cheia de restrições pelo risco de consumir alimentos com substância alergênica.

No caso das crianças, ela afirmou que as escolas tem que estar preparadas para oferecer alimentação adequada e para atender os alunos que apresentarem reações alérgicas, assim como, defendeu a capacitação dos profissionais de saúde que atuam na atenção básica, para os procedimentos de emergência às crianças alérgicas.

Participaram da Audiência Pública, o vereador Gedeão Amorim; a médica Nádia Betti, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai-AM); a médica Adriana Taveira, presidente da Associação Amazonense de Pediatria; a secretária Paola Damacio, da Asbai-AM; a delegada titular do Conselho Regional de Nutricionistas, Mara Carvalho; o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Fábio Cunha; o presidente do Conselho de Alimentação Escolar, Jesanias Souza e a vice-presidente da OAB-AM, Grace Benayon.


Via Assessoria de Imprensa
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