Em comemoração ao “Dia da Consciência Negra”, celebrado nacionalmente no dia 20 de novembro, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), por meio da Escola do Legislativo Senador José Lindoso, realizou na manhã desta quinta-feira (21) mais uma edição do Programa Educando pela Cultura, com debates sobre a importância da data e da valorização e lugar dos negros na sociedade.

O evento, que aconteceu no Auditório Senador João Bosco, contou ainda com a entrega do II Prêmio Nestor Nascimento, voltado para o reconhecimento aos movimentos e personalidades que promovem ações com o objetivo de estimular a igualdade racial e combate ao racismo.

O diretor da Escola do Legislativo, João Paulo Jacob explicou que o “Educando pela Cultura” é um programa permanente da Casa, tendo edições mensais, e tem como finalidade promover debates com alunos da rede estadual de ensino sobre temas sensíveis e caros à sociedade, que são necessários de reflexão, sobre tudo pelo aspecto dos direitos humanos, das minorias. “A Aleam, por ser uma casa plural, onde as diferentes forças convergem para o diálogo, entende a necessidade efetiva de uma reflexão e debates sobre o déficit que a população brasileira possui em relação aos negros”, falou Jacob, sobre a escolha do tema.

Os alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Arlindo Vieira dos Santos, localizada no bairro Terra Nova, Zona Norte de Manaus, participaram desta edição do programa e tiveram a oportunidade de participar das palestras e debates, com os temas: “Genocídio da População Negra”, com Francy Júnior, gerente de Igualdade Racial da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc); “Epistemicídio da Cultura Afro”, com Prof. Me. Juarez Silva, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); e “Visibilidade Constitucional da População Negra”, com Ana Carolina Amaral, presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM). Os alunos, inclusive, fizeram uma apresentação cultural com a temática “autoafirmação da população negra na atualidade”.

O deputado Serafim Corrêa (PSB) representou o Parlamento e em pronunciamento na abertura da programação, falou da “dívida histórica” que o Brasil possui com a população negra. O deputado lembrou dos negros trazidos da África como escravos, e, quando da época da abolição da escravidão, não tiveram nenhum ressarcimento para os anos de sofrimento e ajuda para seguirem com suas vidas a partir daquele momento de liberdade. “Os negros ainda hoje continuam a margem da sociedade, sofrendo preconceito”, disse o parlamentar. Serafim Corrêa foi o prefeito de Manaus que instituiu feriado municipal em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, através da Lei Promulgada nº 188/2007. “A ideia de celebrar essa data com um feriado foi justamente chamar atenção da população, despertar a reflexão sobre o espaço dos negros e a dívida histórica que estava meio que esquecida”, disse.

A aluna Alessandra, Gomes, de 17 anos, analisou como positiva a participação no programa, pois, segunda a estudante, as apresentações e palestras puderam informar, fundamentar e especialmente, promover análise crítica do que realmente é dado ao povo negro, tanto culturalmente quanto politicamente. “mesmo que tenham acontecido algumas conquistas, algumas mudanças comportamentais, mas, ainda hoje, o negro tem que lutar por espaço no mercado de trabalho, na escola, por exemplo”, disse, complementando que “o racismo existe, é real. E precisamos constantemente lutar para mudarmos isso”.



II Prêmio Nestor Nascimento



Na segunda metade do encontro, foi realizada a entrega do “Prêmio Nestor Nascimento” para os vencedores nas cinco categorias de premiação.

O diretor João Paulo Jacob explicou que o prêmio foi criado para ressaltar o trabalho das pessoas que se destacam na defesa da cultura, crenças e população negra. “A Aleam tenta incentivar esse trabalho, mostrando o reconhecimento e gratidão por essas pessoas que continuam defendendo a cultura negra e brasileira, como um todo”, explicou.

Premiada pelo seu trabalho na preservação da fé e combate à intolerância religiosa, a Mãe Emília de Tóy Lissá falou em nome dos homenageados. Mãe Emília disse que sua missão é preservar a cultura do povo negro, e há 50 anos atua em todo o Amazonas conscientizando sobre a importância do respeito e reconhecimento do papel do negro na formação da cultura e povo brasileiro. “Receber uma homenagem como essa é de muita alegria, porque é uma maneira do Poder Público, como a Aleam, dar visibilidade para a nossa caminhada, para a nossa história”, declarou emocionada.

A coordenadora do “Educando pela Cultura” e do processo de seleção e definição dos agraciados com o Prêmio, pedagoga Jacy Braga explicou que a escolha de Nestor Nascimento para nomear essa homenagem se dá pelo trabalho que o mesmo realizou durante toda sua vida. Nascimento era um negro, amazonense, que por toda sua vida buscou os direitos do povo negro.



Lista dos premiados:



1) Mãe Emília de Tóy Lissá – Preservação da Fé: um trabalho de amor, doação e luta contra a intolerância religiosa.

2) Mãe Nonata Corrêa – Feminismo Negro: a luta no combate à “coisificação” da mulher.

3) Profª. Dra. Patrícia Melo – Conjunto da Obra: respeito, visibilidade, resgate histórico e luta contra o racismo.

4) Associação Crioulas do Quilombo do Barranco de São Benedito – Atividades culturais com enfoque na afro cultura.

5) Coletivo Ponta de Lança – Protagonismo Negro: a luta da juventude negra em busca do lugar de fala.

6) Jéssica Dandara –
premiação especial em razão do trabalho desenvolvido à frente do ENCRESPA.
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