O Amazonas já dispõe de um embrião científico legitimamente amazonense que pode colocar o Estado na cadeia econômica mundial de produção de enzimas. Um mercado que movimenta pelo menos 60 bilhões de dólares por ano. Trata-se do Grupo de Pesquisa “Química Aplicada à Tecnologia – QAT”, da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apresentado aos deputados estaduais nesta terça-feira (29), pelo pesquisador Sérgio Duvoisin Junior, durante Cessão de Tempo do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto.


O QAT/UEA dispõe de tecnologia para analisar e produzir biomoléculas a partir dos fungos amazônicos. Sua atuação abrange pesquisas para instituições de pesquisa nacionais, e outras internacionais como o Instituto Max Planck, a Harvard University e a North Caroline Un
iversity.


Para o deputado Josué Neto, no momento que o Amazonas se vê diante da transição do modelo ZFM para uma indústria sustentável, previsto inclusive na reforma tributária em discussão no Congresso.

 “é uma grande alegria descobrir que já possuímos, aqui no Amazonas, um embrião científico para alavancar este novo modelo de indústria”. Ele garantiu o apoio da Casa à consolidação do grupo e o desenvolvimento das pesquisas.

De acordo com Duvoisin, o Estado tem um potencial imenso, com a floresta preservada, para a produção de biomoléculas a partir de fungos. “Hoje se estima que aqui da Floresta Amazônica, só foram estudados apenas 3% de tudo o que existe de fungos na floresta. A gente tem 97% de potencial que ainda não se sabe nem para o que pode servir”, disse.


Ele explicou que a universidade dispõe hoje de laboratórios, financiados pelo Finep na ordem de R$ 15 milhões, com equipamentos para pesquisas de média e alta complexidade que podem ajudar nessa mudança de paradigma, da economia atual da ZFM para a Indústria 5.0 da bioeconomia. Segundo ele, o foco é na utilização de microorganismos da região para a produção de moléculas de interesse industrial, em especial as enzimas, antibióticos, antioxidantes e biosulfactantes. Na parte de biocombustíveis servem para produzir gasolina, diesel, biodiesel e bioálcool a partir de resíduos sólidos.

Outra linha forte de pesquisa é a monitoramento da qualidade da água, conseguindo fazer todo o ciclo da Resolução Conama 357, sobre a classificação dos corpos de água no país, coisa que até os laboratórios do Sul-Sudeste dificilmente conseguem fazer. Monitora ainda a qualidade do ar da região, podendo monitorar particulados e moléculas poluidoras.


O grupo QAT/UEA é uma equipe multidisciplinar composta por quatro membros no grupo gestor e dez professores doutores, entre químicos, físicos, geólogos, biólogos e engenheiros, contando ainda com mais de 50 alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. O potencial se mostra pela produção científica, onde em cinco anos alcançou uma produção de 60 artigos por ano.

Via Assessoria de Imprensa
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